05 dmanuelAlerta sobre a escravidão do séc. XXI

“... a praga dos tráficos dos seres humanos, uma atividade ignóbil, uma vergonha para sociedades que se dizem civilizadas, num mundo onde se fala tanto de direitos”. (Papa Francisco na sessão plenária do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes).

O ano litúrgico que iniciamos no primeiro domingo do advento, nos leva à contemplação de “todo o mistério de Cristo no decorrer do ano, desde a encarnação e nascimento até a ascensão, ao pentecostes e à expectativa da feliz esperança da vinda do Senhor” (SC, nº 102). O Ano Litúrgico apresenta dois tempos fortes intercalados pelo Tempo Comum. O tempo forte do Natal que é preparado pelo advento e se prolonga até a festa do Batismo do Senhor e o tempo forte do ciclo Pascal que tem como centro o tríduo Pascal. Este último é preparado pela quaresma.

O tempo quaresmal que começa na quarta-feira de cinzas e se prolonga até a Missa da Ceia do Senhor nos convoca à conversão e nos convida a intensificar a vida de oração, os exercícios do jejum e da esmola preparando-nos para o encontro com o Senhor que veio nos libertar.

Para nos ajudar nesta caminhada de conversão quaresmal, todos os anos a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nos apresenta a Campanha da Fraternidade como caminho para a conversão pessoal, comunitária e social. Neste ano, o tema da Campanha da Fraternidade é: “Fraternidade e Tráfico Humano” e o lema: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1).

A Igreja Católica sempre se preocupou com a defesa da dignidade da pessoa humana e, portanto, tem assumido a responsabilidade de defender as vítimas do tráfico humano seja para exploração sexual, trabalho forçado ou qualquer outro tipo de escravidão. No Brasil temos o projeto Talitha Kum – Rede Internacional da Vida Religiosa contra o Tráfico de Pessoas, que desde 2004 promove a formação de redes de religiosas capacitadas para prevenir e dar apoio às vítimas do tráfico.

Deixo para nossa reflexão as palavras do Papa Francisco a um grupo de embaixadores, no dia 12 de dezembro: “Fala-se de milhões de vítimas de trabalhos forçados num tráfico de mão de obra e exploração sexual. Isto não pode continuar; seria uma derrota para o mundo permitir que seres humanos sejam tratados como objetos, enganados, violentados, vendidos, ou até mortos e feridos no corpo e na alma, sendo por fim descartados e abandonados. É uma vergonha e um crime contra a humanidade.”

Exorto todas as comunidades a aprofundarem o tema da Campanha da Fraternidade estudando o texto base, participando dos grupos de reflexão e das celebrações para melhor vivenciar a quaresma.

Dom Manuel Parrado Carral