A eclesiologia do Papa Francisco

PapaFrancisco AnsaNo último dia 26 de novembro, no espaço dos Irmãos Maristas de Itaquera, foi realizado um seminário com o título “Eclesiologia em propulsão – Papa Francisco, semeador da esperança”. O encontro teve início às 9h e se encerrou às 15 h. Contou com a presença de Dom Antônio Celso de Queiros, bispo emérito de Catanduva, Dom Angélico Sândalo Bernardino, bispo emérito de Blumenau, Dom Manuel Parrado Carral, bispo diocesano de São Miguel Paulista e Pe. Manoel Godoy, da Arquidiocese de Belo Horizonte.

Após a oração de abertura foi apresentada a pergunta a ser respondida pelos bispos presentes: “O que é ser bispo em propulsão do Papa Francisco?” Cada bispo teve 20 minutos para discorrer sobre a pergunta. Iniciando por Dom Manuel e em seqüência Dom Celso e Dom Angélico. Ao assessor, Pe. Manoel Godoy, coube desenvolver o tema: “Eclesiologia em propulsão – Papa Francisco, semeador da esperança”.

Clique aqui para ler na íntegra a alocução de Dom Manuel Parrado Carral.

Um Ano repleto de Misericórdia

Com a Bula de proclamação do Jubileu extraordinário da Misericórdia, “Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai”, o Papa Francisco convidou toda a Igreja, e cada cristão a reconhecer-se pecador e necessitado da misericórdia divina, abrindo o coração à esperança de ser amado para sempre, apesar da limitação dos nossos pecados.

A vivência do Ano da Misericórdia (8/12/2015-20/11/2016) marcado pela peregrinação e a passagem pela Porta Santa despertou em nossos corações sentimentos de louvor e de ação de graças a Deus por nos ter concedido este tempo favorável e rico em misericórdia. Passar pela Porta Santa significou entrar na intimidade de Jesus “Eu Sou a Porta” e descobrir a profundidade da misericórdia do Pai que vai pessoalmente ao encontro de cada um e acolhe a todos. Tendo atravessado a Porta Santa nos comprometemos a ficarmos parecidos com Jesus, misericordiosos como o Pai é Misericordioso.

Para ficarmos parecidos com Jesus devemos colocar em prática as Obras de Misericórdia Corporais: dar comida aos famintos, dar de beber a quem tem sede, vestir os nus, acolher o estrangeiro, assistir aos doentes, visitar os presos, sepultar os mortos e as Obras de Misericórdia Espirituais: dar bons conselhos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as injustiças, rezar a Deus pelos vivos e pelos defuntos. Agindo assim, como Jesus, passaremos pelo mundo fazendo o bem.

Tendo feito a experiência de passar pela Porta Santa e de sermos banhados na Misericórdia Divina, sejamos alegres anunciadores da Misericórdia de Deus: “Ide, pois, aprender o que significa: Misericórdia eu quero, não sacrifícios. De fato, não é a justos que vim chamar, mas a pecadores” (Mt 9,13). Quem se julga justo dispensa a misericórdia e o perdão de Deus e julga-se melhor que os outros, como Jesus nos ensinou na parábola do fariseu e do publicano que foram ao Templo rezar.

Que a celebração do Ano Jubilar da Misericórdia ajude a nossa diocese e cada cristão a reconhecer-se pecador e necessitado da misericórdia divina é o que pedimos ao Senhor. Confiemos à Virgem Maria, Mãe da Misericórdia, nossos bons propósitos no encerramento do Ano da Misericórdia “pedindo-lhe que nunca se canse de volver para nós os seus olhos misericordiosos e nos faça dignos de contemplar o rosto da misericórdia, seu Filho Jesus”.(MV 24). Amém.

Dom Manuel Parrado Carral

7º encontro diocesano de ministros extraordinários

No dia 20 de novembro, Solenidade de Cristo Rei e dia dedicado aos cristãos leigos, a Diocese de São Miguel Paulista reuniu seus ministros não ordenados na Basílica da Penha em seu 7º encontro diocesano.

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Saudando os participantes, Dom Manuel lembrou a importância do Ano Jubilar Extraordinário da Misericórdia que, apesar do fechamento da Porta Santa, é sempre o início de um novo tempo, pois, é tempo de vivenciar a misericórdia em nossos relacionamentos.

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Após refletir sobre a Palavra de Deus, lembrou a celebração do dia do cristão leigo citando o documento 105 da CNBB, nº 185 que afirma: “A partir de Jesus Cristo, os cristãos leigos e leigas infundem uma inspiração de fé e de amor nos ambientes e realidades em que vivem e trabalham. Em meio à missão, como sal, luz e fermento sempre cheia de tensões e conflitos, buscam testemunhar sua identidade cristã, como ramos na videira na comunidade de fé, oração e partilha.” No final foi entregue a cada participante o livreto contendo subsídios estudados pelos ministros de todas as paróquias durante o Ano Jubilar da Misericórdia.

Encerramento do Ano Santo Jubilar da Misericórdia

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Por motivo de ordem pastoral, o Bispo Diocesano encerrou o Ano Santo Jubilar da Misericórdia para a Diocese de São Miguel Paulista na Solenidade de Cristo Rei com celebração Eucarística na Catedral de São Miguel Arcanjo, e fechou oficialmente a Porta Santa. Mas, a verdadeira Porta que é Jesus Cristo, “Eu Sou a Porta”, continua de braços abertos para acolher a todos que recorrem à Sua Misericórdia.

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Em sua homilia, Dom Manuel destacou a solenidade de Cristo Rei como dia dedicado aos leigos e leigas que são chamados pelo Batismo a implantar o Reino de Deus no mundo por seu testemunho de vida, sendo fermento, sal e luz. Discorreu sobre as leituras do dia e lembrou que tendo feito a experiência de passar pela Porta Santa e de sermos banhados na misericórdia divina, sejamos alegres anunciadores da Misericórdia de Deus: “Ide, pois, aprender o que significa: Misericórdia eu quero, não sacrifícios. De fato, não é a justos que vim chamar, mas a pecadores” (Mt 9,13). Quem se julga justo dispensa a misericórdia e o perdão de Deus e julga-se melhor que os outros, como o fariseu.

Clique aqui para ler a homilia de Dom Manuel.

50 anos em terras brasileiras

No dia 13 de novembro, às 11 horas, na igreja de São Benedito em Guaianases, Dom José Maria Libório Camino Sarachio celebrou em ação de graças pelos 50 anos de sua chegada ao Brasil como missionário. Dom José Maria esteve rodeado de padres, familiares vindos da Espanha e um grande número de amigos da nossa Diocese e da Diocese de Presidente Prudente além de Dom Manuel e Dom Fernando.

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Em sua homilia, Dom José Maria contou um pouco de sua trajetória na Zona Leste, mais especificamente na Paróquia São Benedito de Guaianases e na Catedral de São Miguel Arcanjo, onde deu grande atenção aos pobres e às crianças. Ao final, Dom Manuel saudou o homenageado lembrando seus 85 anos de vida e destacando a coragem do missionário que é capaz de ir ao encontro do desconhecido para anunciar Jesus Cristo. Dom Fernando lembrou uma das grandes qualidades de Dom José Maria sua capacidade de criar comunhão. Por fim foi lida uma carta do bispo de Presidente Prudente, Dom Benedito, homenageando o Bispo Emérito. É importante destacar que, apesar da idade, Dom José Maria se dispôs a servir a pequena comunidade de São José Operário, na Cidade Líder.

Diocese de São Miguel Paulista realizou Assembleias Regionais

No decorrer do segundo semestre de 2016 a Diocese de São Miguel Paulista realizou uma avaliação de seu 6º Plano Diocesano de Pastoral enfocando a ação missionária. Esta avaliação teve início nas paróquias, nos setores pastorais finalizando com a realização das assembléias regionais durante o mês de outubro: 08/10 na Região Episcopal Itaquera/Guaianases, na Paróquia São Benedito; 15/10 na Região Episcopal Penha na Paróquia São Francisco de Assis dos Pequeninos e 29/10 na Região Episcopal São Miguel no auditório do Seminário Diocesano.


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A dinâmica usada foi: celebração de abertura, palavra do Bispo Diocesano, painel com o relatório das assembléias setoriais e uma palestra motivadora sobre a missionariedade no 6º plano diocesano de pastoral. Dom Manuel em suas colocações lembrou que era significativo estarmos fazendo esta avaliação no mês de outubro, mês temático dedicado às missões, pois a Igreja é essencialmente missionária. Lembrou ainda que o nosso 6º plano diocesano de pastoral foi construído a partir do fundamento bíblico: “Enviados pelo Espírito Santo... começaram a anunciar a Palavra de Deus”. Encerrou pedindo a intercessão da Virgem Maria para que a nossa Igreja Particular de São Miguel Paulista se firme como uma “Igreja em saída”.

Nota da CNBB sobre a PEC 241

“Não fazer os pobres participar dos próprios bens é roubá-los e tirar-lhes a vida.”
(São João Crisóstomo, século IV)

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília-DF, dos dias 25 a 27 de outubro de 2016, manifesta sua posição a respeito da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241/2016, de autoria do Poder Executivo que, após ter sido aprovada na Câmara Federal, segue para tramitação no Senado Federal.

Apresentada como fórmula para alcançar o equilíbrio dos gastos públicos, a PEC 241 limita, a partir de 2017, as despesas primárias do Estado – educação, saúde, infraestrutura, segurança, funcionalismo e outros – criando um teto para essas mesmas despesas, a ser aplicado nos próximos vinte anos. Significa, na prática, que nenhum aumento real de investimento nas áreas primárias poderá ser feito durante duas décadas. No entanto, ela não menciona nenhum teto para despesas financeiras, como, por exemplo, o pagamento dos juros da dívida pública. Por que esse tratamento diferenciado?

A PEC 241 é injusta e seletiva. Ela elege, para pagar a conta do descontrole dos gastos, os trabalhadores e os pobres, ou seja, aqueles que mais precisam do Estado para que seus direitos constitucionais sejam garantidos. Além disso, beneficia os detentores do capital financeiro, quando não coloca teto para o pagamento de juros, não taxa grandes fortunas e não propõe auditar a dívida pública.

A PEC 241 supervaloriza o mercado em detrimento do Estado. “O dinheiro deve servir e não governar! ” (Evangelii Gaudium, 58). Diante do risco de uma idolatria do mercado, a Doutrina Social da Igreja ressalta o limite e a incapacidade do mesmo em satisfazer as necessidades humanas que, por sua natureza, não são e não podem ser simples mercadorias (cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 349).

A PEC 241 afronta a Constituição Cidadã de 1988. Ao tratar dos artigos 198 e 212, que garantem um limite mínimo de investimento nas áreas de saúde e educação, ela desconsidera a ordem constitucional. A partir de 2018, o montante assegurado para estas áreas terá um novo critério de correção que será a inflação e não mais a receita corrente líquida, como prescreve a Constituição Federal.

É possível reverter o caminho de aprovação dessa PEC, que precisa ser debatida de forma ampla e democrática. A mobilização popular e a sociedade civil organizada são fundamentais para superação da crise econômica e política. Pesa, neste momento, sobre o Senado Federal, a responsabilidade de dialogar amplamente com a sociedade a respeito das consequências da PEC 241.

A CNBB continuará acompanhando esse processo, colocando-se à disposição para a busca de uma solução que garanta o direito de todos e não onere os mais pobres.

Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, continue intercedendo pelo povo brasileiro. Deus nos abençoe!

Dom Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB