O seminário maior, na caminhada da formação para a vida presbiteral, é uma etapa específica no processo de aprendizagem da vida do presbítero que, como discípulo e missionário de Jesus Cristo, exercerá seu ministério no mundo contemporâneo. O seminário deve ter “como modelo e referência ideal a própria convivência de Jesus com o grupo dos Apóstolos e dos Discípulos”. Como experiência de vida comunitária habilita o futuro presbítero a viver a comunhão na Igreja com seu bispo, com o presbitério e com as comunidades eclesiais em verdadeiro espírito fraterno.

No seminário deve haver  condições para que os vocacionados possam  compartilhar a vida, celebrar a liturgia, se reunir ao redor da mesa da Eucaristia, se inserir gradualmente na vida pastoral das comunidades, ouvir a voz do Espírito no discernimento da própria vocação, seguir mais de perto a Jesus Cristo, o Bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas. Deve também abrir as mentes e corações para a Igreja como um todo numa sólida espiritualidade de comunhão com Cristo que ama seu povo e deu sua vida para reuni-lo na construção do Reino.

Para ingressar no seminário maior, etapa subsequente ao processo do propedêutico, se exigem alguns critérios que ajudem o vocacionado a se convencer de que, como dizia a Papa João Paulo II, “O sacerdócio não é propriedade nossa, para fazermos o que nos agrada; não podemos reinventar o seu significado, segundo o nosso ponto de vista pessoal: O que nos compete é ser fiéis àquele que nos chamou”.  Para isso algumas qualidades são exigidas e devem ser trabalhadas no tempo deseminário ajudando os candidatos ao ministério presbiteral durante sua caminhada de preparação.

A formação tem várias dimensões que devem ser integradas e equilibradas, pois, todas são importantes no processo formativo. O Documento 93 da CNBB, “Diretrizes para a Formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil”, aponta alguns objetivos a serem alcançados:

1. proporcionar equilíbrio entre a intensa vida comunitária, abertura ao mundo, ao serviço e à missão;

2. considerar os aspectos ecumênico, social e missionário da formação presbiteral, por serem desafios importantes da evangelização;

3. desenvolver a maturidade e a responsabilidade pessoal, bem como a disponibilidade para a obediência às exigências do Evangelho e da autoridade da Igreja;

4. organizar com fidelidade e regularidade a récita comunitária da Liturgia das Horas, incluindo o Oficio das Leituras;

5. aprofundar a vida de oração, a vivência litúrgica, o esmero e o respeito das normas litúrgicas nas celebrações, em equilíbrio com a multiplicidade de compromissos, o trabalho, o estudo e as atividades pastorais;

6. preparar para futuras tarefas pastorais e engajamento em responsabilidades imediatas;

7. harmonizar a formação intelectual com a prática pastoral e a vivência espiritual, em vista de um discipulado autêntico;

8. promover a entrega total e sincera à vocação e, ao mesmo tempo, prudente verificação dos sinais da vontade de Deus;

9. dedicar tempo suficiente para ilustrar os aspectos positivos do celibato, falando abertamente de suas exigências e mostrando aos vocacionados a importância de vivê-lo como dom de Deus.

O mundo necessita de autênticos servidores da humanidade, a Igreja merece presbíteros bem preparados, o povo quer ver em seus pastores verdadeiros discípulos de Cristo. Por isso a preparação dos futuros presbíteros deve ser uma responsabilidade compartilhada por todo o povo fiel  mas, de maneira especial, pelos que formam o presbitério e vem nos futuros padres a certeza da continuidade de sua missão.

Dom Manuel Parrado Carral