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2019 abertura do sínodo da amazonia

Os bispos da região amazônica, reunidos em Belém do Pará, no final do encontro publicaram uma carta da qual extraímos alguns tópicos: “A Igreja sempre teve uma atenção muito especial pela Amazônia. “Desde o século XVII a Igreja Católica está presente na Amazônia preocupando-se, ao mesmo tempo, com a evangelização e a promoção humana dos povos que ali vivem. Muitas escolas, hospitais, oficinas, obras sociais se construíram e foram mantidas durante séculos em todos os rincões da Amazônia. Vilas e cidades se edificaram a partir das “missões” da nossa Igreja. Quanto sangue, suor e lágrimas foram derramados na defesa dos direitos humanos e da dignidade, especialmente dos mais pobres e excluídos da sociedade, dos povos originários e do meio ambiente tão ameaçado”.

A partir de “1952, os bispos da Amazônia se reúnem periodicamente para se posicionar sobre a missão da Igreja na realidade peculiar da Amazônia. “Cristo aponta para a Amazônia” é a expressão profética e programática do Papa São Paulo VI que em 1972 repercutiu no Encontro de Santarém. A nossa Igreja assumiu, então, o compromisso de se “encarnar, na simplicidade”, na realidade dos povos e de empenhar-se para que por meio da ação evangelizadora se tornasse cada vez mais nítido o rosto de uma Igreja amazônica, comprometida com a realidade dos povos e da terra. No encontro de 1990, em Belém-Icoaraci, os bispos da Amazônia foram os primeiros a advertir o mundo para um iminente desastre ecológico com “conseqüências catastróficas para todo o ecossistema (que) ultrapassam, sem dúvida, as fronteiras do Brasil e do Continente” (Documento “Em defesa da Vida na Amazônia”).

Em 2007, na Conferência de Aparecida os bispos alertavam: “Nas decisões sobre as riquezas da biodiversidade e da natureza as populações tradicionais têm sido praticamente excluídas. A natureza foi e continua sendo agredida. A terra foi depredada. As águas estão sendo tratadas como se fossem uma mercadoria negociável pelas empresas, além de haver sido transformadas em um bem disputado pelas grandes potências. Um exemplo muito importante nesta situação é a Amazônia”. (Documento de Aparecida, nº 84). O então Papa Bento XVI, em discurso aos jovens no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, chamou a atenção para a “devastação ambiental da Amazônia e as ameaças à dignidade humana de seus povos” e pediu aos jovens “um maior compromisso nos mais diversos espaços de ação”.

O Cardeal Dom Cláudio Hummes, em seu recente livro O Sínodo para a Amazônia, revela que a decisão do Papa Francisco de realizar o Sínodo para a Amazônia resulta de um processo gradual, que se iniciou em 2013, durante a sua viagem ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. “Quero convidar a todos a refletirem sobre o que Aparecida disse a propósito da Amazônia, incluindo o forte apelo ao respeito e à salvaguarda de toda criação que Deus confiou ao homem, não para que explorasse rudemente, mas para que a tornasse um jardim” (Discurso do Papa na JMJ 2013).

O anúncio do Sínodo aconteceu no dia 15 de outubro de 2017, na Praça São Pedro, em Roma, logo após a canonização dos protomártires brasileiros de Cunhaú e Uruaçu e de dois adolescentes indígenas mexicanos mártires.

O Papa Francisco está reunido no Vaticano, entre os dias 6 e 27 de outubro, com bispos dos nove países que abrangem a região Pan-Amazônica, em um Sínodo para estudar “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”.